quarta-feira, 1 de junho de 2016

Tutus, plies e introdução alimentar

Não é novidade pra mamãe nenhuma que, quando recebemos o resultado do teste de gravidez (seja do beta ou daquele teste de farmácia ultra rapidinho), milhares de planos começam a se formar em nossas cabecinhas mirabolantes. Por que se você sempre se gabou de ser uma mulher livre e avessa à regras, do tipo que vive cada dia de uma vez, depois do resultado do exame essa heroína dos filmes de ação tende a desaparecer.

Quando eu descobri que estava grávida de Alice (e as circunstâncias, por si só, são motivo para um outro post, mais a frente), eu pensei... Ufa! Tá aí minha chance de viver entre tutus e plies... Até então, Alice era um bebê sem sexo, um pontinho minúsculo se formando dentro de mim, mas intuição de mãe é infalível - o que acontece é que, às vezes, a gente acaba falsificando nossas premonições. Eu tive a certeza de que cotoquinha seria cotoquinha (e não cotoquinho), desde o primeiro segundo em que me descobri mãe. Foi nesse segundo, também, a propósito, que uma conexão poderosa se formou entre nós duas e eu passei a sentir quando cotoquinha estava precisando da minha ajuda.

Então, desde o resultado do beta, eu concebi uma ideia que passei a julgar como certa: eu estava esperando uma menina e, algum dia, ela seria uma bailarina fantástica, almejada por todas as companhias de balé do mundo (um sonho que sempre termina com sua opção pelo Bolshoi, lógico). É claro que todo esse delírio - e eu digo delírio no sentido de que nenhuma mãe, em sã consciência, deveria se julgar no direito de sonhar pelos seus filhos - veio de uma antiga frustração, uma frustração dos tempos de infância. Eu eu acho que vocês podem imaginar qual seria. Minha mãe nunca me matriculou em aulinhas de balé! E eu cresci uma pseudo-bailarina frustrada...
Por isso, quando a pediatra da Alice liberou a introdução alimentar (o que, para o meu desespero, ocorreu antes dos 04 meses de idade por causa do meu retorno ao trabalho), começaram a surgir piadas de um lado e do outro da família. Alice comeu beterraba pela primeira vez. Ela achou o máximo. Alice provou banana. Quis comer o cacho todo. Alice experimentou inhame, angu, feijão, chuchu, aipim, bata doce, abóbora, abobrinha [etc, etc, etc] ... ela provou até nabo!! Eu nunca comi nabo! Nunca. Minha mãe nem sabia o que era o tal do nabo! Mas Alice comeu e adivinhem só... Alice AMA NABO. Alice ama tudo (com exceção de pera, talvez, que ela só gosta muito...)

Foi desse jeito que minha filha virou a bailarina gorduchinha da família, o que não significa uma prévia do seu peso futuro, que ela não possa ser uma feliz bailarina ou qualquer profissão do seu agrado, ou mesmo que ela não vá ser feliz com o seu corpo, mas, em âmbito familiar, sempre rende umas boas risadas. E, ai meu Deus, como eu adoro aquelas pernocas, aquelas dobrinhas lindas e, as anteriormente aqui citadas, inacreditáveis bochechas de buldoguinho!!

Quando eu ouço uma mamãe comentar, com pesar, que seu filhote não é muito bom de boca, que rejeita comida, faz cara feia ou cospe o espinafre, eu penso... caramba, poderia ser com a cotoquinha! E imediatamente aconselho: não desistam, por favor. Insistam.Uma amiga disse, sabiamente, que desistir de um bebê que rejeita a alimentação adequada na infância pode resultar em um adulto com um péssimo paladar. Ou seja, se a mamãe desiste na primeira (ou segunda, terceira, quarta...) cara de nojinho do filhote, é provável que esse seja um adulto que tem preguiça de comer frutas, detesta legumes e troca o suco, facilmente, por uma lata de refrigerante. Por isso, eu digo: incentivem o seu bebê a comer bem. Administrem tudo o que passa pela boquinha dele e criem um cardápio saudável e nutritivo para os seus pequenos, para que, ainda agora, enquanto o paladar dele é puro, sem vícios, um bom hábito seja formado.

Alice não come sal, Alice não come açúcar. Ela nunca experimentou chocolate, biscoitos (exceto maisena, liberado pela médica uma vez ou outra) ou outro tipo de alimento que não contribua para o seu desenvolvimento. Muita gente é de opinião contrária e me olha de cara feia quando digo isso. Os avós de Alice, por exemplo, estão doidos para vê-la comer uma besteirinha, mas eu não acho isso nada bonito, não apoio e NÃO LIBERO. Lembre-se sempre: VOCÊ é a mãe do seu filho. VOCÊ é responsável pelo que acontece a ele e pelas reações a alimentação inadequada que ele recebe (é duro ouvir isso, mas a verdade é que se o seu filhote sofre uma intoxicação pela ingestão de um determinado alimento, a titia não será culpada por isso, a menos que o fato tenha acontecido escondido).

Então, quando eu escuto as clássicas... Quando você vai deixar Alice comer um docinho? A menina não vai comer bolo na própria festa de aniversário?! Eu vou poder dar chocolate a ela na próxima Páscoa?, eu não tenho medo de deixar clara a minha posição sobre o assunto.

Então, gente, é com um prazer enorme que eu digo: sim, minha filha é uma comilona! De coisas boas. E enquanto eu puder controlar o que ela come, vou procurar sempre fazer o meu melhor pela sua saúde.


Linda e cheia de atitude!!! 


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